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Perícia em Software e Projetos de Desenvolvimento

O sistema entregue serve ao que foi contratado? A perícia responde lendo o repositório, o banco de dados e o ambiente de testes, com evidência datada.

A natureza do trabalho

Cada lado tem uma versão. O repositório tem a história

Num projeto de software que deu errado, o contratante diz que o sistema não funciona. O fornecedor diz que entregou e que o atraso veio de mudanças pedidas pelo cliente. O juiz ou o árbitro precisa de outra coisa: o que foi feito, quando, e por que falhou.

Essa resposta está nos registros do próprio projeto. O repositório de código guarda cada alteração (cada commit) com data e autor. O banco de dados mostra o que o sistema gravou. O sistema de chamados mostra quem pediu o quê. O ambiente de homologação mostra o que estava pronto para teste.

A perícia em software preserva esses registros antes de qualquer análise, com hash e cadeia de custódia, e reconstrói o projeto a partir deles. Esta página trata do exame do software em si. A visão geral de contratos de TI e de implantações de ERP está em Segurança da Informação e Compliance. A escolha entre processo judicial, arbitragem e mediação está em Arbitragem e Mediação em TI.

Quando cabe

As disputas que chegam à perícia

Entrega

O sistema não funciona

"Não funciona" precisa virar fato: qual funcionalidade, em qual ambiente, com qual dado e com que resultado. A perícia executa os fluxos em disputa e mede o comportamento contra o que foi especificado. As características de qualidade da ISO/IEC 25010, como adequação funcional, confiabilidade e eficiência de desempenho, dão às duas partes um vocabulário comum.

Prazo

Atraso e escopo

Quem atrasou? A linha do tempo cruza commits, versões publicadas, chamados, aprovações e pedidos de mudança. Ela separa o atraso de desenvolvimento do atraso causado por dependências do contratante, como acesso, dados e aprovações, e das mudanças de escopo que entraram sem aditivo.

Rescisão

Rescisão no meio do projeto

O que estava pronto na data da rescisão? A perícia compara o código dos repositórios com a versão em homologação até aquela data. Separa o que estava entregue, o que estava em desenvolvimento e o que nunca começou.

Código

Código copiado ou reaproveitado

O fornecedor reaproveitou código de outro cliente, ou o sistema novo copia o antigo? A perícia compara as bases de código, identifica a origem de cada componente e mostra quem escreveu cada parte. O tema tem página própria em Propriedade Intelectual, Segredo de Negócio e Concorrência Desleal.

Licenciamento

Contrafação e licenciamento de software

Chega uma notificação de contrafação ou uma auditoria de licenciamento movida pelo fabricante. A perícia preliminar de licenciamento levanta, com imagem forense dos equipamentos, o que está instalado e o que está licenciado, antes de a empresa responder. Na ação, a atuação é na defesa da empresa auditada ou, em outros processos, como perito nomeado em ações movidas por fabricantes.

Causa-raiz

Falha em produção com multa contratual

Quando uma falha em produção gera multa, a pergunta é de onde ela veio: defeito do código, configuração do ambiente, mudança mal gerida ou incidente de segurança. Logs do banco de dados, registros da gestão de mudanças e o processo de testes, que tem referência na ISO/IEC/IEEE 29119, mostram a causa e quem respondia por ela. Muitas falhas não são incidente cibernético. São falha de processo.

Método

Como a perícia lê um projeto de software

01 · Preservação. Cópia dos repositórios com o histórico completo, do banco de dados e dos ambientes, com hash. Nada é examinado no ambiente em uso.

02 · Linha do tempo. Commits, versões, chamados, atas e e-mails ordenados numa única cronologia.

03 · Confronto. O que o contrato, a proposta e os requisitos pediam, contra o que o código e o sistema fazem.

04 · Testes. Quem testou, o que testou e com que resultado. Os testes de cada parte são medidos separadamente.

05 · Ambiente espelho. Quando o ambiente original mudou ou não está disponível, a perícia monta um ambiente equivalente para reproduzir as falhas e testar hipóteses concorrentes.

06 · Laudo. Achados, hipóteses testadas, limites declarados e anexos que as duas partes conseguem verificar.

Medição

Pontos de função: quanto software foi entregue

Preço e prazo de software se discutem melhor com uma medida. A análise de pontos de função mede o tamanho funcional do sistema pelo que ele faz para o usuário, sem depender da linguagem ou da tecnologia. É um método padronizado internacionalmente (ISO/IEC 20926) e amplamente usado nas contratações de software do governo federal, segundo o Roteiro de Métricas de Software do SISP, o sistema que reúne os órgãos de TI da administração federal.

Na perícia, a contagem serve para comparar o tamanho do que foi contratado com o do que foi entregue, ou para avaliar se um preço tem base técnica. Já foi aplicada, por exemplo, para um cliente que precisava justificar numa licitação o valor que cobrava e mostrar por que ele se diferenciava do de outros participantes (caso descrito em Licitações, Contratos Públicos e Infraestrutura).

Casos realizados

O que já passou por este núcleo

CASO REAL · ANONIMIZADO

O que estava pronto no dia da rescisão

Um contrato de desenvolvimento foi rescindido com as partes em desacordo sobre o que tinha sido entregue e sobre a causa das falhas do sistema.

Os repositórios do projeto foram preservados com o histórico completo, e os commits foram comparados com a versão de homologação até a data da rescisão. A perícia reconstruiu um ambiente espelho e examinou a hipótese de que as falhas vinham do proxy (o servidor intermediário) da rede corporativa, e não do código.

O laudo delimitou, em evidência datada, o que estava pronto na rescisão e de onde vinham as falhas.

EXEMPLO ILUSTRATIVO

O aplicativo que atrasou nove meses

Uma empresa contrata o desenvolvimento de um aplicativo com prazo de seis meses. Nove meses depois, ele ainda não está em produção. O fornecedor diz que o cliente mudou o escopo e demorou a liberar o acesso aos sistemas. O cliente diz que o código chegava com erro.

A perícia monta uma linha do tempo com os commits, os chamados e os e-mails de aprovação. Ela mostra quantas funcionalidades entraram depois da assinatura, quanto tempo cada pedido de acesso ficou parado e quantas entregas voltaram da homologação com defeito.

Com essa cronologia, o atraso deixa de ser versão contra versão. Cada parte vê a parcela que lhe cabe, e a negociação, a arbitragem ou o processo partem de fatos.

Dúvidas frequentes
O contrato não detalha os requisitos. Ainda dá para periciar?
Sim. Proposta, atas, protótipos, histórias de usuário, chamados e aprovações também definem o escopo. A perícia reconstrói o que foi combinado a partir desses registros e declara no laudo onde o escopo ficou indefinido.
A perícia precisa do código-fonte?
Na maioria dos casos, sim, com o histórico do repositório. Quando o código está com a outra parte, o acesso pode vir por acordo, por ordem judicial ou por produção antecipada da prova (CPC, art. 381). Sem o código, a perícia ainda examina o sistema em funcionamento, os registros e o banco de dados, e declara o limite do exame.
De quem é o código que o fornecedor desenvolveu?
Depende do contrato. Salvo estipulação em contrário, a Lei do Software atribui ao contratante os direitos sobre o programa desenvolvido durante contrato destinado a esse desenvolvimento, ou em que essa atividade esteja prevista (Lei 9.609/1998, art. 4º). A perícia mostra quem escreveu cada parte, quando, e o que veio de bibliotecas de terceiros.
Vale periciar antes de rescindir?
Vale preservar antes. Depois da rescisão, o fornecedor sai, os acessos são cortados e ambientes são desligados. Preservar repositórios, banco de dados e ambientes antes desse momento garante que a prova da situação do projeto naquela data exista quando a disputa chegar.
Quanto tempo leva a perícia em software?
Como referência, o laudo sai normalmente em 30 a 60 dias, e em até 90 dias nos casos de alta complexidade. O cronograma é definido na avaliação inicial.

Consulte também

Arbitragem e Mediação em TI →   Segurança da Informação e Compliance →   Propriedade Intelectual, Segredo de Negócio e Concorrência Desleal →   Perícia Judicial e Extrajudicial →   Licitações, Contratos Públicos e Infraestrutura →   Direito Digital e Tecnologia →

Todo projeto de software deixa registro. A perícia o lê.

Consulta inicial para contratante, fornecedor ou advogado: o que o repositório, os chamados e os aceites permitem demonstrar sobre o que foi contratado e o que foi entregue.

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